XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Alice Melo Monteiro Gomes

Alice


A música está no bico dos pássaros
na pétala da lamparina
no caracol dos teus cabelos
no  movimento dos músculos
e no m das mãos

nada mais sagrado
do que teus olhos acesos
pra me iluminar na escuridão

Artur Gomes
foto: Artur Gomes Gumes

 




Viajante Incógnito

Quando Deus
Criou o mundo
Não contou vantagem

Quando esculpiu
O homem
Não fez vernissagem

Quando ele pintou
As estrelas no breu
Não falou “isso é Meu”
Nem expôs em museu
Quando escreveu
Os mandamentos
Não autografou
Quando inventou a música
Não cantou
Só mais um aparte
Triste daquele que tem
Seu nome maior que sua arte

Faixa do CD O Som da Cabeça do elefante
Que não me canso de ouvir

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Poesia In Concert - no Sesc São Carlos



Virada Cultural Paulista
Sesc São Carlos – Dia 25 maio – 2013
14h – Oficina de Poesia Falada – Direção: Artur Gomes
21h – Artur Gomes - Poesia In Concert seguido de
Bate Papo com o Coletivo Topamos Ler

Poética 67

a dor de não ter
não tenho
ela foi embora faz anos
20 de fevereiro de mil quinhentos e vinte
alguns milênios de luta
por muitos séculos inglória
meu barco chegou de viagem
em algum canto do cais
amor pra mim tanto faz
samba tanto bolero blues
já vi alguns olhos azuis
com fogo da cor pimenta 
se eu te contar minha história
se não chora não aguenta
não sou cavalo de troia
não sou cavalo de pano
já me larguei e faz tempo
atrás de um sonho que tenho
de me engravidar de LUAna
nem vou te dizer de onde venho
Artur Gomes






domingo, 14 de abril de 2013

poética 62



PoÉtica 62



não vejo nada em Debret não curto
não estou em estado de surto
prefiro Salvador Dali
Matisse, Cézane, Picasso
identidade profunda
como olhar na Barra Funda
a arte em seu tempo/espaço
ocupando espaço/tempo
não gosto do que contemplo
concreto pra mim é abstrato
do abstrato eu faço concreto
cada índio em sua oca
com flecha tacape ou fuzil
Oswald me deu o toque
no manifesto Poesia Pau Brasil




Artur Gomes

sábado, 29 de dezembro de 2012

Poesia do Brasil Vol. 15




Meus  três enigmas

Tenho pouco tempo
para resolver os três enigmas que me restam.
Os demais
ou não os resolvi
                                                        ou resolveram
me abandonar
                                  exaustos de mim.

São de  algum modo obedientes.
Só ganham vida
se os convoco.
Isto me dá a estranha sensação
que os controlo.
                              
                                  Complacentes
me olham
do canto de sua jaula.

Enigma que se preza
não se entrega
nem se apressa em estraçalhar
o outro com fúria da fera.

No entardecer
os três enigmas sobrantes
me espreitam soberanos.
Às vezes
mesmo arredios
aceitam meus afagos.
Na dúbia luz da madrugada
parecem desvendáveis.

O dia revém.
Eles me olham penalizados
E começam de novo a me devorar.

Affonso Romano de Saant´Anna




Mala de espera

Quando os céus forem gastos sapatos,
Postos sobre a usada mala de viagem,
Furados de astros, cometas, voragens,
Contemplarei a infância e calçarei os cautos

pés com estes céus tão lestos, gratos
e vagarei por trás de alguma aragem.
Nem se incham os pés nas siderais folhagens,
nem pisarão com solas nos regatos

das constelações. Amada, então posso
esbanjar o fulgor de ser criança.
E caminhar a noite, sem reparar o corso

da Via-Láctea, no seu carro que avança.
E calçarei os céus na luz exausta,
Até brotar o amor que nãos e acaba.

Carlos Nejar



Dois e dois são quatro

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror que acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena

Ferreira Gullar



Abrigo

agora esteio escora de pilar
penso propenso a desabar
quem dirá das estruturas
das paredes rachaduras
mentirá negará arquitetura
a fundação que já se afunda
dirá da fria pedra profunda
fundamental sob às vigas
quem dirá que agora diga
da profusão de estéticas
das linhas matemáticas
já tão curtas quase nulas
quem dirá já não regula
não há métrica no concreto
cair pode ser reto direto
deitar poderia ser o certo
morrer pode ser perto
mas me mantenho ereto
a cabeça sobre os ombros
há muito habito escombros

Rodrigo Mebs




fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel

Artur Gomes



Alguns dos poema publicados na Antologia Poesia do Brasil – Vol 15- Proyecto Cultural Sur Brasil – Editora Grafiti – Congresso Brasileiro de Poesia – Bento Gonçalves-RS - 2012 - que será lançada no dia 22 de janeiro de 2013 na Livraria Argumento - Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon - Rio de Janeiro