XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pai





Pai

Em que rio estará o nosso Pai?
N´alguma grota úmida
dos canaviais?

Atrás do sol, dos bambuzais?

Em que noites estarão
as nossas inquietações?

Na calma encoberta
por instigantes canções?
Na estrada deserta
que leva a outras estradas?

No conceito sereno
de que tudo é nada?

Com quantos paus
construiremos nosso Pai?

É Pai mesmo?
Um helicóptero?
Um espelho?
A estação do trem?

Um cobertor que afasta
os nossos frios?

Em que mares,
em que florestas
existe um pássaro
chamado Pai?

Em que mesa
sentaremos um dia
quando o Sol não aparecer
e a medida da vida se perder?

Levaremos flores?
Choraremos néon?

Acreditaremos em Deus?
Existe existe?

A palavra existe?
Se não, por que insiste?
E nos embriagamos de mistérios...’

Martinho Santafé
autor de Manual Para Assassianar Frangos
poema vencedor do IIIº FEstCampos de Poesia Falada
Campos dos Goytacazes -2001

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Martinho Santafé




PAISAGEM

Alguém aguarda
como um anjo noturno
pela flor nascida
nos metrôs.

Estar longe
é como as águas dos rios
e tudo o que elas transportam:
o bicho putrefato
árvores solenes
pneus gastos
peixes químicos
destroços das pontes.

Das sombras
saem as mais sutis das bombas
atentas em cada canto dos tuneis
em cada poema que virá.

O sábio constrói esquinas
e as abraça com seu manto
laser.

De minha janela
vejo buganvílias
e beija-flores
atômicos.



O pássaro elétrico


O pássaro elétrico
emite passaportes
para o céu.



Na orquestra dos fios
rima vôo com azul.



Deflorando a manhã
como um helicóptero
bêbado.


Martinho Santafé
Poeta.jornalista.artista plástico
Autor de Manual Para Assassinar Frangos
Vencedor do IIIº FestCampos de Poesia Falada - 2001
Natural de Campos dos Goytacazes
Radicado em Macaé desde 1980