XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

VERÔNICA no AZUL de todos NÓS


Jomard Muniz de Britto, jmb
 
Quando  soubemos, pela primeira vez,
do filme de Marcelo Gomes- ERA UMA
VEZ EU, VERÔNICA - o impacto foi primário:
o que ISTO teria a ver com o mais editado
autor do Brasil, Paulo Coelho? - NADA, apesar
de quase todos. Nós, invejosos?
Sem forçar a barra das publicidades, somos
convidados a participar de um fluxo
de consciência em "frames", flagrantes e
flutuações do AZUL.
Essas livres associações de imagens,
em cortes e planos-sequência, não tropeçam
em banais surrealismos.
O mais surpreendente é que o filme vem
desmontar a linhagem PSI de categorias
e comportamentos quase hierárquicos.
Por ele, psicologias, psiquiatrias e até mesmo
psicanálises se entrelaçam no AZUL de nossos
desejos, contradições e multipolaridades.
O rosto de Hermíla Guedes apostando na
fisionomia pensante dos espectadores.
Na imagem final, através de uma ponte, sua voz                 
sugere que agora o filme é que vai começar.
Em nós?
Momentos difíceis de múltiplas renúncias e
fruições da beleza esplendorosa.
Nudez total, corpos entre mares e céus, prazeres
transbordantes.
Escapando das racionalidades analíticas,
uma intuição nos arrebata pela temporal
multipolaridade. Presente sempre em todas
as direções, mas sem diretivismos.
Tempo de perspectivas.
Sem firulas narcisistas. Sem anarquismos
fetichistas. Sem temor desesperante.
Tempos do Pai, magistralmente interpretado
W.J. Solha, ouvindo frevos de tristeza
sem jamais poder encarnar as figurações
de um patriarca. Percorrendo as quase
impossíveis formas de amar a decadência
simbolizada no ex-cinema de arte Trianon.
Não importa que tudo esteja se tornando
PADRONIZADO pelo barulho do comércio
informal e muito mais pelo desgaste das
filas dos (im) pacientes em busca de
curas impossíveis.
Não a chave, mas a clave de nossas seduções
se reencontra na antirretórica dos poetas:
- “Tem muito azul em torno dela/Azul no céu,
azul no mar/Azul no sangue à flor da pele/As mãos
de rosa de Iemanjá" (Péricles Cavalcanti, BLUES).
“- E perdidos de azul nos contemplamos/e vimos
que entre nós nascia um sul/vertiginosamente
azul. Azul" (Carlos Pena Filho)
A mim, a nós, o que mais?
 
 
Recife, março de 2013.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

RESGUARDAR JANEIRO PELO ANO INTEIRO



Jomard Muniz de Britto, jmb

Já ouviram falar em MEI?
Talvez seja mais do que uma sigla bonita
ou mesmo estranha. Permanência da dúvida.

Se no meio dos caminhos continuam pedras
drummundanas, calçadas esburacadas, vozes
e gestuais interrompidos, famintos de tudo,
o Movimento de Escritores Independentes
(MEI) - dos anos 80 do passado século - 
deseja resistir dentro das carências
do poetar, escrever, encarar escritas por tudo.

Para enfrentar ilusões acadêmicas e falências
do Pós-Tudo contemporâneo.

Para esquecer as mais sublimes epifanias de
Clarice Lispector e seus consagrados.

Para gozar a sabedoria dos andarilhos
na linguagem de Manoel de Barros, nosso
pré-socrático transcendendo longevidades.

Por que o crítico-pensador Antonio Candido
não conseguiu resenhá-lo? Até quando?
Por tudo e sem todos, o MEI jogou dardos
da memória para não tornar-se esquecido
de si mesmo e de nós outros.

Gerou sobretudo movimentAÇÕES em
relâmpagos, aquém e além dos bares,
becos famintos, folias suicidáveis.

Os que não aguentaram, morreram sem tédio.

Os sobreviventes ainda experimentam
a morte sem tábuas de salvação.

Quase tudo resguardado em exercícios de
CORPOETICIDADE sem limites.

Poetas-personagens afins, gritando
contra ridículas politicagens.

MIRÓ da Muribeca em São Paulo ou
no Cais de Santa Rita do Ré-cife
continua permanecendo preferencial.

Malungo e Chicó pelas imagens de Mateus Sá 
desafiando obsessões consumistas e neuroses
espumantes. Outro MEI, desafinando midias.

Para tentar esquecer os replicantes do
sebastianismo no Teatro de Santa Isabel.

SALVE-SE QUEM SOUBER DO NADA.

Recife, jan/2013.