XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

orquestra



“Não sei viver sem palavras
soando nos meus ouvidos”

Anibal Bessa
me aliment0
de palavras

com elas
a plenitude do ser

canção completa
com ritmo melodia

deixo de ser
eterna imaginação
me faço partitura

Luiz Otávio Oliani
In A Eternidade dos Dias
futurArte poesia

vida




nasci em Minas
principalmente vivo fora de Minas

a tantos idiomas a linguagem
obrigou-me
: duvido das palavras

a tantas guerras me arrastaram
quase morto
: que voluntariado

a tanta opressão me reduziram
oco
: o que sobre é bem pouco

mas bastante para?

Aricy Curvello
In 50 poemas escolhidos pelo Autor
Edições Galo Branco

Kyrie Eleison


foto: artur gomes


Hoje me chamo por exemplo Oscar
sou, porém, um e milhares,
não amanhã mas hoje
vim auxiliar toda mágoa
com o desconsolo tão múltiplo.

Pertubadoramente sou Oscar,
dito isto vou partindo
coberto de sangue e tempo
a caminho de ninguém.

Sinto raiva de ser crucial,
guardo virtudes opostas
raiz do abismo de mim.

Só a noite obstinada mastiga
esse meu sangue sem metáfora,
trago desamparadas lágrimas
para guardar a nostalgia
de me chamar Oscar. Agora é tarde
ter de me chamar Oscar...

Há de haver uma estrela inútil
e um devorado esquecimento
após a morte de tudo –
ó habituação de quem busca
a própria face perdida.

Oscar Bertholdo
In Poesia do Brasil Vol. 15
Proyecto Cultural Sur Brasil  - Grafite Editora
Congresso Brasileiro de Poesia – Bento Gonçalves-RS

ciclotimia 3

foto: Rodrigo Ribeiro - BH


quando for de nascer
há.

quando houver de deixar
morra.

( somente
o que tiver de cessar)

ziche!

app (leia-se Ana Paula Perissé)  em 
http://www.recantodasletras.com.br/poesiassurrealistas/4051615

Proteção


a leiteira - wermmer além da alma - césar castro

Essa  onda branca
De filtro solar em seu rosto
Não filtra o calor
Que em seus olhos
Exposto.
Irradia
Pra toda praia
A luz  que aquece
Essa  tarde fria  de agosto.


Adriano Moura  - poeta, professor e dramaturgo. Publicou em 2007 o livro de poemas "Liquidificador: poesia para vita mina", pelo selo IMPRIMATUR da editora 7Letras. Escreveu quatro peças teatrais: "Conselho de classe", "Dezesseis",  "Meu querido diário" e "O julgamento de Lúcifer". Atualmente trabalha na produção do segundo livro de poesias intitulado "Labirinto" e na versão romanceada da peça "O Julgamento de Lúcifer". É professor Universitário e da Educação Pública Básica.

analfabetos




mantido um sentido distante
o bastante pra sentir de perto
o coerente calor de um deserto
e o frio que se veste na pele
seja mais se jamais se revele
semblante de um deus indeciso
desvalido e despido de riso
quem um dia sonhou paraíso
já sabe de infernos modernos
o que há já está nos  cadernos
o que há eu já soube escrever
e os demônios não sabem ler

Rodrigo Mebs
In Poesia do Brasil Vol. 15
Proyecto Cultural Sur Brasil – Editora Grafiti
Congresso Brasileiro de Poesia – Bento Gonçalves-RS