XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

quinta-feira, 19 de março de 2015

Clarice Lispector


"(...) Que estou eu a dizer?... Estou dizendo amor... E à beira do amor estamos nós."
Para além da orelha existe um som,
à extremidade do olhar um aspecto,
às pontas dos dedos um objeto -
é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma ideia,
ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria,
à ponta da espada a magia -
é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou -
é para lá que eu vou.
Ou não vou?
Vou, sim.
E volto para ver como estão as coisas.
Se continuam mágicas.
Realidade?
Eu vos espero.
E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra.
(...) À beira de eu estou mim.
É para mim que eu vou.
E de mim saio para ver.
Ver o quê?
Ver o que existe.
Depois de morta é para a realidade que vou.
Por enquanto é sonho.
Sonho fatídico.
Mas depois -
depois tudo é real.
E a alma livre procura um canto para se acomodar.
Mim é um eu que anuncio.
(...) Amor: eu vos amo tanto.
Eu amo o amor.
O amor é vermelho.
(...) À extremidade de mim estou eu.
Eu, implorante,
eu a que necessita,
a que pede,
a que chora,
a que se lamenta.
Mas a que canta.
A que diz palavras.
Palavras ao vento?
que importa,
os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento.
O morro dos ventos uivantes me chama.
Vou, bruxa que sou.
E me transmuto.
(...) Que estou eu a dizer?
Estou dizendo amor.
E à beira do amor estamos nós.
Clarice Lispector

Arte: Vadim Stein

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Waterkis - Selecione Água

rio Paraíba do Sul - fotos: Artur Gomes
Waterkis - Selecione Água
nesse curta tem depoimento de Silvio Ribeiro de Castro filmado na Cachaçaria em outubro de 2012 durante a semanado XX Congresso Brasileiro de Poesia - Fulinaíma Produções - Direção: Artur Gomes https://www.youtube.com/watch?v=MMoCHm3neJY
Thaylis Carneiro e Gabriel Nunes Tupinambás 
- foto: May Pasquetti

Divino Maravilhoso
Curta com o grupo Samba de Dois, Thaylis Carneiro, Gabriel Nunes Tupinambás e Renata Barbosa, cantando músicas de Caetano Veloso e fazendo uma homenagem ao poeta Ronaldo Werneck – filmado na Fundação Casa das Artes – Bento Gonçalves-RS – outubro 2014 – XXII Congresso Brasileiro de Poesia – Fulinaíma Produções – Direção: Artur Gomes



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Vídeo/Instalação: RUIDURBANOS


poundianas

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou a lice

um dia/pós
veio uilcon torto
pegou a jóia diana
e junto na pereiralice

com o corpo & alma
das duas
foi Bouvoir assombradado
roendo o osso do mito
pra lá de frança ou bahia
pois tudo que o anjo dizia
Sartre jurou já ter dito
NONADA 
- Biúte ria

Artur Gomes 
in Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas
(ALPHARRABIO - 2000)
Ruidurbanos: Uilcon Pereira in Memória



Vídeo/Instalação: RUIDURBANOS
Uilcon Pereira In   Memória
XXIII Congresso Brasileiro de Poesia 
XX Mostra Internacional de Poesia Visual
III Mostra Cine Vídeo Poesia 
Bento Gonçalves-RS 5 a 10 de outubro 
curadoria: Artur Gomes, Hugo Pontes, Jiddu Saldanha e Tchello Barros
coordenação geral: Ademir Bacca 
https://www.facebook.com/pages/Ruidurbanos-Uilcon-Pereira-in-Mem%C3%B3ria/253594524806841?fref=ts



FULINAÍMA PRODUÇÕES

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

XXIII Congresso Brsileiro de Poesia



XXIII Congresso Brasileiro de Poesia 
XX Mostra Internacional de Poesia Visual
III Mostra Cine Vídeo Poesia 
5 a 10 de outubro - 2015 - Bento Gonçalves-RS
Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso 
Curadorias: Artur Gomes, Hugo Pontes, Jiddu Saldanha e Tchello Barros
Coordenação Geral: Ademir Antônio Bacca

a musa e uma câmera fotográfica
curta com Isadora Zecchin, filmado
na Cachçaria - Bento Gonçalves-RS - outubro 2014 - durante o XXII Congresso Brasileiro de Poesia - Fulinaíma Produções - direção: Artur Gomes 


https://www.youtube.com/watch?v=7Gc5kteQNNo&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ

Alice Melo Monteiro Gomes

Alice


A música está no bico dos pássaros
na pétala da lamparina
no caracol dos teus cabelos
no  movimento dos músculos
e no m das mãos

nada mais sagrado
do que teus olhos acesos
pra me iluminar na escuridão

Artur Gomes
foto: Artur Gomes Gumes

 




Viajante Incógnito

Quando Deus
Criou o mundo
Não contou vantagem

Quando esculpiu
O homem
Não fez vernissagem

Quando ele pintou
As estrelas no breu
Não falou “isso é Meu”
Nem expôs em museu
Quando escreveu
Os mandamentos
Não autografou
Quando inventou a música
Não cantou
Só mais um aparte
Triste daquele que tem
Seu nome maior que sua arte

Faixa do CD O Som da Cabeça do elefante
Que não me canso de ouvir

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

XXIII Congresso Brasileiro de Poesia

XXIII Congresso Brasileiro de Poesia 
XX Mostra Internacional de Poesia Visual
III Mostra Cine Vídeo Poesia 
5 a 10 de outubro - 2015 - Bento Gonçalves-RS
Poeta Homenageado: Tanussi Cardoso 
Curadorias: Artur Gomes, Hugo Pontes, Jiddu Saldanha e Tchello Barros 
Coordenação Geral: Ademir Antônio Bacca 

Uma Cidade Em Transparência
Curta com fragmentos de momentos registrados
Durante o XXII Congresso Brasileiro de Poesia – Bento Gonçalves-RS – outubro 2014 – Fulinaíma Produções – roteiro & direção: Artur Gomes 
https://www.youtube.com/watch?v=dlE2B6f29XA&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ




a musa e uma câmera fotográfica
curta com Isadora Zecchin, filmado
na Cachçaria - Bento Gonçalves-RS - outubro 2014 - durrante o XXII Congresso Brasileiro de Poesia - Fulinaíma Produções - direção: Artur Gomes

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos 

margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 
enquanto a vida nos procura


Congresso Brasileiro de Poesia - em 2015 - 25 anos

Marina Colasanti na primeira edição 
do Congresso Brasileiro de Poesia - 
Nova Prata-RS - 1990



Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite 
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst (primeiro poema de Júbilo, Memória e Noviciado da Paixão)


MAPA DE ESPERANÇA

Vinha pisando sobre toda a praia,
o sangue quieto — ou quase quieto —,
os pensamentos leves como espumas
e os cabelos soltos como nuvens.

Trágica como princesa de elegia,
meu estandarte é o desespero,
minha bandeira, indecisão.

Ainda assim, alegria, te festejo.

Olga Savary

Arraial do Cabo
1971