XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

domingo, 14 de abril de 2013

poética 62



PoÉtica 62



não vejo nada em Debret não curto
não estou em estado de surto
prefiro Salvador Dali
Matisse, Cézane, Picasso
identidade profunda
como olhar na Barra Funda
a arte em seu tempo/espaço
ocupando espaço/tempo
não gosto do que contemplo
concreto pra mim é abstrato
do abstrato eu faço concreto
cada índio em sua oca
com flecha tacape ou fuzil
Oswald me deu o toque
no manifesto Poesia Pau Brasil




Artur Gomes

Cântico Negro



Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio

sexta-feira, 12 de abril de 2013

cólera



cólera

sem dúvida essa fadiga que entardece
é mais forte do que o vento
o vento que não é da família dos chacais
e me procura com uma lente invisível

o vento que racha as paredes
e atravessa a pintura

o vento que atravessa a pintura
e diz que os decibéis
das flores que lhe oferto
estão em anomalia




Wilmar Silva
Belo Horizonte-MG

água e pedra



Água e pedra.



Deve o coração ser às vezes
frio e rígido como a pedra,
e deve ser dobrável e fluir
como a água.

Bate a água na pedra,
e o mar se aquece na luz
da superfície.

Depende o coração das marés
qual um barco.

Absurdo e real, bate e treme
o coração com seu casco a se arranhar
na pedra, e outra vez, e quase sempre
qual um barco segue o coração
boiando entre o fluxo das ondas,
e a possível travessia a ser ferida aberta nas pedras.




Luís Sérgio dos Santos
nasceu em Campos dos Goytacazes hoje mora com as estrelas

apsara ou noite branca



APSARA OU NOITE BRANCA

Pues el viento, el viento gracioso
se extiende como um gato para dejarse definir.
LEZAMA LIMA



Dama do escorpião, Apsara
em teus braços numa noite rara
o demônio delicado dos sofismas
brinca nos espelhos obsidianos
com a fatalidade das tuas mãos finas

Apsara a lógica voluptuosa do escorpião
passeia por tua face múltiplas fúrias
e um veneno sutil se instala nos versos
nessas perigosas noites de outubro
Satã vigia seja noite seja dia
a teoria da rosa e seus mistérios

Apsara filha do fogo dança no alto da chama
enquanto a serpente do meu desejo desliza
no chiaroscuro das cinzas do encantamento
há um esplendor rigoroso nesta luz
um furor sangrento nesta selvagem salsugem dos assombros
Apsara terros naufráfio no presságio azul da madrugada
que se ilumina com a lâmpada da saudade



Carlos Lima 
(Ilhéus/Rio de Janeiro, 25 e 26.10.1997)

excertos



(excertos)

Aqui se pergunta (
e se perguntará

) pela pergunta
cem vezes repetida:

duas águas turvas
represadas,

sequência de lentas,
abruptas curvas

para cima, mais um
andar, mais

um, sem-
pre mais um,

: primeira
parte da queda.


Ricardo Aleixo
Belo Horizonte - MG

terça-feira, 2 de abril de 2013

XXI Congresso Brasileiro de Poesia




Atenção Galera

XXI Congresso Brasileiro de Poesia
XVIII Mostra Internacional de Poesia Visual
30/9 a 5/10 – 2013 – Bento Gonçalves-RS
Cidade do Vinho e Poesia
Como participar?

Poesia na Vidraça
Poesia curta de no máximo 10 versos, incluindo o título e
assinatura do autor

Mostra Internacional de Poesia Visual
Poema impresso em papel A4 com assinatura e país do autor na frente

Vídeo.Poesia
Vídeo com no máximo 5 minutos, incluindo todos os créditos, arquivo em AVI ou DVD

Oração Poética Para Plantação da Pitangueira – Adote um poeta, selecionando poesias de sua autoria para ser falado
No momento da plantação da Pitangueira, ato simbólico que encerra todos os anos cada Edição do Congresso Brasileiro de Poesia.
Circuito de Poesia Ao Vivo – Poesias para serem faladas pelas ruas centrais de Bento Gonçalves.

Projeto de Performances Poéticas para Seleção
O autor deverá enviar o projeto detalhado, com indicação de público alvo (faixa etérea), infra-estrutura necessária para apresentação da performance e custos.

Remessa das Poesias e Projetos até 1 de julho de 2013
Via internet e-mail: poebrasoficial@gmail.com
Poemas Visuais  Impressos e Vídeo.Poesia enviar para Caixa Postal 45 – Bento Gonçalves-RS – 95700.000
Curta a Página do Congresso Brasileiro de Poesia no facebook https://www.facebook.com/poebras?fref=ts


Proyecto Cultural Sur Brasil
Ademir Bacca – Presidente
Artur Gomes – Coordenador de Literatura e Audiovisual
May Pasquetti – Coordenadora de Marketing