XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

segunda-feira, 11 de março de 2013

a flauta e a vértebra




A FLAUTA VÉRTEBRA

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

miragem


hoje fotografando na praia conheci Stella, uma inglesa moradora da Rocinha. apesar de não falar meu idioma e nem eu o dela apossou-me enorme euforia ao perceber que ela faz física na PUC e ama poesia. nosso diálogo se completou pelos gestos dos pés a boca, passando pelas mãos pernas e braços. as 13 enquanto caminhávamos filmei o ritmo dos seus passos em direção ao ponto de ônibus, nos despedimos ali com um beijo e fui dar aulas em São Conrado como todos os dias faço


Miragem 

da pedra da gávea
ela pulou para a PUC
onde Sartre andou dizendo:
bovoir é o que queremos

stella ainda passeia
na pele da memória
direto na veia
como vício de amor não saciado
naquele encontro marcado
em tudo que não fizemos

artur gomes
www.pelegrafia.blogspot.com


miragem

fosse uma ostra
lagosta
sereia

ou simplesmente essa mulher
semi nua na areia

federico baudelaire
www.federicobaudelaire.blogspot.com

quinta-feira, 7 de março de 2013

COMO DESFAZER BAGAGENS



Como quem de viagem
demora a acomodar-se 
ao clima, ao horário, 
às vogais de outra sintaxe,
também escrever estranha
quando muda de paisagem.

Como quem de viagem,
o que carrega apouca
a dicionários, passagens
e alguma muda de roupa,
também escrever exige
aprender a descartar-se.

Como quem de viagem
pouco ou nada decifra
do manuscrito-cidade
(mal soletra as esquinas),
também escrever ensina,
menos importa encontrar-se.

Como quem de viagem
evita, quando sabe,
os apelos do fóssil,
do que é fausto adrede,
também escrever prefere
o que se dá sem salvas.

Como quem de viagem
sabe o prazer de andar
sem endereço ou idade,
com a roupa amassada,
também escrever comparte
esse corpo sem abas.

Como quem de viagem,
para rever a janela onde
lhe sorriu uma criança,
o embarque adiaria,
também escrever alcança
os vestígios desse dia.

Como quem de viagem,
das malas faz relicário
de rostos, ruídos e mares,
de balas, livros e ácidos,
escrever também seria
como desfazer bagagens.




De Corpo Portátil (1998-2000)

Fernando Fábio Fiorese Furtado

segunda-feira, 4 de março de 2013

A Arte é o que resiste


 poesia visual fátima queiroz


A Arte é o Que Resiste.

Ela Resiste à Morte a Servidão e A Vergonha.
Gilles Deleuze


Ainda vai levar um bom tempo  para a humanidade compreender Arte e se beneficiar dela.  Alguns comentários que leio sobre o assunto me aterrorizam, principalmente por saber que no Brasil professores do ramo ainda se perguntam O Que é Arte? E pensam que uma simples ilustração seja Poesia Visual. E o que é mais aterrorizante é saber que em Escolas Municipais, Estaduais e Federais, professores são obrigados a darem notas para estudantes passarem de ano sem o cumprimento das mínimas exigências da LDB, contribuindo  dessa forma para a perpetuação desse Estado de Ignorância.


Federico Baudelaire

sexta-feira, 1 de março de 2013

Congresso Brasileiro de Poesia





 
 Prefeito Guilherme Pasin e alunos da Escola Lóris Reali fizeram a distribuição dos Exemplares

Congresso Brasileiro de Poesia distribui 500 exemplares de suas antologias no lançamento do projeto “Semeador”, da Prefeitura de Bento Gonçalves.

Na noite da última quinta-feira, dia 28, a Prefeitura de Bento Gonçalves, através da Secretaria Municipal da Cultura e da Fundação Casa das Artes, lançou o Projeto “Semeador”, que vai nortear os rumos do município na área cultural nos próximos quatro anos, tendo como objetivo principal resgatar o legado histórico deixado pelos imigrantes responsáveis pelo surgimento da pequena cidade que se tornou a Capital Brasileira da Uva e do Vinho e também o maior pólo moveleiro do país e incentivar os talentos culturais locais em todas as áreas.

O Auditório Ivo Da Rold, da Casa das Artes, recebeu lotação máxima, autoridades, escritores, músicos, artistas plásticos, atores, dançarinos, produtores culturais e autoridades que foram recebidos ao som de uma orquestra de sopro na parte externa do prédio da Fundação. Na oportunidade, uma representação do Ministério da Cultura fez rápida explanação sobre o Encontro Nacional de Incentivo à Cultura, que será realizado em Bento Gonçalves, no mês de maio vindouro.

No hall de entrada, estudantes da Escola Municipal Lóris Reali receberam os convidados brindando-os com um pacote de sementes de videira e um exemplar de uma das antologias oficiais do Congresso Brasileiro de Poesia, simbolizando o produto símbolo do município e o maior projeto de leitura de poesia em desenvolvimento no estado gaúcho.

A distribuição das antologias é uma tradição do Congresso Brasileiro de Poesia ao longo dos últimos sete anos, dentro do evento e também na Feira Municipal do Livro, totalizando até o momento mais de 15 mil exemplares disponibilizados às escolas, estudantes e público em geral.

Ademir Antônio Bacca
Presidente do Proyecto Cultural Sur Brasil
Coordenador Geral do Congresso Brasileiro de Poesia

poesia visual - Fatima Queiroz


Eles Verão




O sonho suado transbordante
que arrasta a realidade
Eles têm medo
dos poetas que incomodam
 
 
Eles têm medo
da alegria que somos capazes
de arrancar do futuro
 
Eles têm medo
daqueles que inventam o mar
na pia do banheiro
e as estrelas no céu da boca
 
Eles têm medo
dos que andam com a cabeça-madura
enquanto os pés estão numa verde-aventura
 
Eles têm medo
do jogo transparente onde o goleiro
é um doido de pedra embaixo
de uma trave de arco-íris
 
Eles têm medo
de uma arte diferente
que ilumina o cotidiano
com a fúria que nos amanhece
de uma lua quebrada da paixão
ou feito um lingote incandescente
retirado dos fornos profundos
das usinas metalúrgicas
 
Recomecemos o mundo!
 
(Sady Bianchin)