XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pétala de Lamparina


foto: Marcelo Negrão Artur



VI

acordar
com neve e pena, branco de medo

corpo sem rio
nave pelo quarto

bruma e barulho
lição de cão e canto de canários afogados

acordar sem pavio
asa ou caravela

pálido
ter os lábios
impregnados de cinza



VII

acordar
com poucas palavras no paladar

iscas pra gastar
anzol sem apetite

acordar quase impuro

silêncio

espelho sem suicídio



IX

acordar
e um barbante de neblina
anel na montanha

com pilhas para filhos
louças muito bem vestidas

o dia tem azul e tempestades

pomar de manga
trilho de trem que sumiu no mato

e uma estrela
que nunca mais deu as cartas



X

acordar
prata de orvalho no pátio

grama curta, ferida de inseto no rosto
sem fala

no meio de pássaros
pesadelo

bruxo ou jardineiro
sombra de anjo

acordar
os cantos da sala com balde d’água

quintais
com goiabeira


Ricardo Lima
Ateliê Editorial – São Paulo - 2010

sexta-feira, 3 de maio de 2013

poesia



a poesia
só tem sentido
quando não olha
a vida
pelo espelho
retrovisor




© Ademir Antonio Bacca
do livro “Grito por dentro das palavras”

sonho (re)corrente




              “Pus o meu sonho num navio
               e o navio em cima do mar;"
                            Naufrágio, Cecília Meireles / Alain Oulman



um rio, estreito e veloz
:
na superfície, aconchegada
(líquido conforto)
eu mesma, barco
nele navego

tudo é sensação e velocidade
as margens próximas
(quase tocáveis)
a paisagem borrada
(não há contemplação
nem há tempo)

corre o rio, corro com ele

rua lamacenta
agora, o rio
nítida, a paisagem
(desolação)

onde recomeça o rio?
muito distante daqui
dizem-me
sem mensurar distâncias
nem me olhar nos olhos


Dalila Teles Veras
In A Janela dos Dias

Zuns Zum Zoom




o
que
se passou
comigo
está aqui
na palma da
página,
transmutado
pela poesia e
pela língua,
fixado em papel,
guardado em pele e
em pend-drive.
o
que
se passou
e frequentemente
aflora, como agora,
pelas palavras,
pela beleza
ambígua da língua
por algum leitor,
por mim, tudo,
tudo na palma da
página
na palma da página
as palavras misturadas,
as emoções misturadas,
o mundo misturado,
é esta a cena onde estou, misturado
vejo-lhes, descrevo-lhes assim
sociais seres sensuais,
solícitas, amargas pessoas
ou
armados cidadãos apontando
para alguma cabeça, alguma ilusão,
alguma causa, algum enredo
olhem,
é esta a rede
palavras em voo coletivo
pronomes em voo solo
mentes em voo cego.
tá tudo aí, óó! tudo, tudo
óó! Junto e misturado pela
beleza ambígua da língua


Luiz Edmundo Alves
In Zuns Zum Zoom
anome livros – Belo Horizonte-BH

PRESCRIÇÃO



 Poesia para melhorar a cor do que está pálido.
Poesia para viajar sem custo.

Poesia para comprovar que ela existe
quando nasce de repente
e nos toca de mansinho
e mansamente descansamos
de espinhos indesejados.

Poesia para afastar agruras
e aproximar doçuras
sem qualquer restrição médica
ou de consciência.

Poesia como um teste
para sabermos se ainda
somos anjos.

© HAIDÊ VIEIRA PIGATTO

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Poesia In Concert - no Sesc São Carlos



Virada Cultural Paulista
Sesc São Carlos – Dia 25 maio – 2013
14h – Oficina de Poesia Falada – Direção: Artur Gomes
21h – Artur Gomes - Poesia In Concert seguido de
Bate Papo com o Coletivo Topamos Ler

Poética 67

a dor de não ter
não tenho
ela foi embora faz anos
20 de fevereiro de mil quinhentos e vinte
alguns milênios de luta
por muitos séculos inglória
meu barco chegou de viagem
em algum canto do cais
amor pra mim tanto faz
samba tanto bolero blues
já vi alguns olhos azuis
com fogo da cor pimenta 
se eu te contar minha história
se não chora não aguenta
não sou cavalo de troia
não sou cavalo de pano
já me larguei e faz tempo
atrás de um sonho que tenho
de me engravidar de LUAna
nem vou te dizer de onde venho
Artur Gomes






quarta-feira, 1 de maio de 2013

Antologias do Congresso Brasileiro de Poesia 2013


Dentre todos os projetos desenvolvidos durante o CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, o que mais repercute junto à comunidade escolar de Bento Gonçalves é o POESIA NA ESCOLA, que consiste na distribuição das coleções “POESIA DO BRASIL” e “POETA, MOSTRA A TUA CARA”. 


As antologias serão publicadas no sistema cooperativado e obedecerão às seguintes normas:



POESIA DO BRASIL (VOLUMES 17 e 18)
Custo por participação por volume: R$ 730,00, que poderão ser pagos em até seis parcelas. Cada autor terá direito a 6 páginas, cinco com poemas e uma com biografia de no máximo 15 linhas, e receberá 40 exemplares, além dos 20 que cederá para distribuição nas escolas durante o XXI Congresso Brasileiro de Poesia.



POETA, MOSTRA A TUA CARA (volume 10)
Custo por participação: R$ 320,00, que poderão ser pagos em até 4 parcelas. Cada autor terá direito a 3 páginas, duas com poemas e uma com biografia de no máximo 15 linhas, e receberá 30 exemplares, além dos 15 que cederá para distribuição nas escolas durante o XXI Congresso Brasileiro de Poesia. Esta antologia é publicada no formato pocket (bolso).



IMPORTANTE:
1 – Pagamento parcelado através de cheques pré-datados que deverão ser enviados juntamente com as provas revisadas
2 – A remessa dos exemplares será por conta do autor.

3 - O lançamento oficial das antologias será nas noites dos dias 02 e 03 de outubro, dentro da programação oficial do XXI Congresso Brasileiro de Poesia.


Gostaríamos de contar com sua participação.

Cláudia Gonçalves
Coordenadora Nacional de Publicações 
Assessora de Coordenação do Congresso Brasileiro dePoesia



Contato:
antologiascongresso@gmail.com
cacaugoncalves@gmail.com
51 – 81977076 TIM
51 – 84779737 OI