XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Antologias do Congresso Brasileiro de Poesia 2013


Dentre todos os projetos desenvolvidos durante o CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, o que mais repercute junto à comunidade escolar de Bento Gonçalves é o POESIA NA ESCOLA, que consiste na distribuição das coleções “POESIA DO BRASIL” e “POETA, MOSTRA A TUA CARA”. 


As antologias serão publicadas no sistema cooperativado e obedecerão às seguintes normas:



POESIA DO BRASIL (VOLUMES 17 e 18)
Custo por participação por volume: R$ 730,00, que poderão ser pagos em até seis parcelas. Cada autor terá direito a 6 páginas, cinco com poemas e uma com biografia de no máximo 15 linhas, e receberá 40 exemplares, além dos 20 que cederá para distribuição nas escolas durante o XXI Congresso Brasileiro de Poesia.



POETA, MOSTRA A TUA CARA (volume 10)
Custo por participação: R$ 320,00, que poderão ser pagos em até 4 parcelas. Cada autor terá direito a 3 páginas, duas com poemas e uma com biografia de no máximo 15 linhas, e receberá 30 exemplares, além dos 15 que cederá para distribuição nas escolas durante o XXI Congresso Brasileiro de Poesia. Esta antologia é publicada no formato pocket (bolso).



IMPORTANTE:
1 – Pagamento parcelado através de cheques pré-datados que deverão ser enviados juntamente com as provas revisadas
2 – A remessa dos exemplares será por conta do autor.

3 - O lançamento oficial das antologias será nas noites dos dias 02 e 03 de outubro, dentro da programação oficial do XXI Congresso Brasileiro de Poesia.


Gostaríamos de contar com sua participação.

Cláudia Gonçalves
Coordenadora Nacional de Publicações 
Assessora de Coordenação do Congresso Brasileiro dePoesia



Contato:
antologiascongresso@gmail.com
cacaugoncalves@gmail.com
51 – 81977076 TIM
51 – 84779737 OI

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CANTO 81 / Ezra Pound fragmento



O que amas de verdade permanece,
o resto é escória

O que amas de verdade não te será arrancado
O que amas de verdade é tua herança verdadeira
Mundo de quem, meu ou deles
ou não é de ninguém?
Veio o visível primeiro, depois o palpável
Elísio, ainda que fosse nas câmaras do inferno,
O que amas de verdade é tua herança verdadeira
O que amas de verdade não te será arrancado

A formiga é um centauro em seu mundo de dragões.
Abaixo tua vaidade, nem coragem
Nem ordem, nem graça são obras do homem,
Abaixo tua vaidade, eu digo abaixo.
Aprende com o mundo verde o teu lugar
Na escala da invenção ou arte verdadeira,
Abaixo tua vaidade,
Paquin, abaixo!
O elmo verde superou tua elegância.
"Domina-te e outros te suportarão"
Abaixo tua vaidade
Tu és um cão surrado e largado ao granizo,
Uma pega inchada sob o sol instável,
Metade branca, metade negra
E confundes a asa com a cauda
Abaixo tua vaidade
Que mesquinhos teus ódios
Nutridos na mentira,
Abaixo tua vaidade,
Ávido em destruir, avaro em caridade,
Abaixo tua vaidade,
Eu digo abaixo.

Mas ter feito em lugar de fazer
isto não é vaidade
Ter, com decência, batido
Para que um Blunt abrisse
Ter colhido no ar a tradição mais viva
ou num belo olho antigo a flama inconquistada
Isto não é vaidade.
Aqui, o erro todo consiste em não ter feito.
Todo: na timidez que vacilou.

Ezra Pound

Tradução conjunta de Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari

maiakoviski



A tarde ardia em cem sóis
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava.
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
“Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!”

E grito ao sol:
“Parasita!
Você, aí, a flanar pelos ares,
e eu aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!”

E grito ao sol:
“Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?”

Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostra medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com a voz de baixo:
“Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!”

Lágrimas na ponta dos olhos
- o calor me fazia desvairar,-
eu lhe mostro
o samovar:
“Pois bem,
sente-se, astro!”

Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta3,
etc.
E o sol:
“Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!”
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
“Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.”

O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

A Extraordinária Aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no verão na Datcha
Vladimir Maiakóvski - 1920
(Tradução de Augusto de Campos)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

poema preso


foto: artur gomes

Sequência “Poema Preso”

Viviane Mosé

muitas doenças que as pessoas têm são
poemas presos
abscessos, tumores, nódulos, pedras são
palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo
encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido
poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra
presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima

lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema

Viviane Mosé
www.vivianemose.com.br

congresso de poesia afaz nova distribuição de antologias



CONGRESSO DE POESIA FAZ NOVA DISTRIBUIÇÃO DE ANTOLOGIAS

A Semana do livro em Bento Gonçalves terá neste Sábado, das 9h às 16h, um Troca- Troca de livros na Via Del Vino. O Congresso Brasileiro de Poesia mais uma vez estará presente fazendo a distribuição de suas antologias oficiais, através de ação da Biblioteca Castro Alves.

das águas que movem o moinho da saudade



das águas que movem o moinho da saudade

o murmurar
das águas do rio
que corre ao longe
da minha infância
faz-se ouvir
na noite de saudades
do meu pai,
que se precipita em sombras
e silêncio

nada que não o correr
de águas mansas
que trazem lembranças
de trigais dançando ao vento
e da velha avó
resistindo ao peso dos anos

o murmurar
das águas do rio
da minha infância
atravessa a noite silenciosa,
remenda meus sonhos
de menino
e deságua no mar de saudades
que se forma nos meus olhos

Ademir Antonio Bacca

PACO CAC



PACO CAC
Em fevereiro, depois de muitos anos, reencontrei o poeta PACO CAC. Foi na "Pelada Poética" organizada pelo Eduardo Tornaghi. Lá eu e Artur Gomes acertamos com ele a sua vinda para o Congresso Brasileiro de Poesia em outubro, quando ele traria uma exposição sobre Samaral. Quis o destino que aquele fosse o nosso último encontro. Era um grande poeta
. (Ademir Antonio Bacca)